Marc Jacobs primavera-verão 2016

18.09.2015

Aqueles grandes shows megalomaníacos da Louis Vuitton ficaram pra era Marc Jacobs, mesmo – hoje em dia Nicolas Ghesquière parece preferir focar na roupa. Tudo bem, porque parece que os desfiles do próprio Marc Jacobs em sua marca homônima, que já tiveram momentos quase tão grandiosos quanto, entram em uma nova fase nessa primavera-verão 2016 apresentada na Semana de Moda de NY. A descrição curta: Marc mudou sua locação pro mítico Ziegfeld Theatre e transformou sua apresentação em um tapete vermelho! A descrição mais longa: os fotógrafos ficavam posicionados de frente pra um backdrop, onde as modelos paravam e posavam como as celebs (teve muita fenda, como na vida real, e até uma celeb mesmo, a cantora Beth Ditto, sem contar Kendall Jenner e tops como Joan Smalls e a brasileira Carol Trentini!). Em seguida elas entravam no teatro, onde os convidados do desfile (Bette Midler, Winona Ryder, Sandra Bernhard, Sofia Coppola, Debbie Harry) estavam devidamente sentados com seus pacotes de pipoca e também assistiam, no palco, a uma big band tocar New York Dolls! Espetáculo midiático cheio de subtextos.

Uma leitura possível é que Marc propositalmente pegou uma das partes mais glamourosas e milionárias da indústria, o tapete vermelho, e fez uma coleção antropofágica. Aqui a gente tem muitos dos símbolos americanos (a própria bandeira, o azul-vermelho-branco, o blusão college, o preppy, o grunge e Hollywood, tudo misturado!) e também uma certa ironia, porque apesar de alguns vestidos serem realmente cheios de bordado e glamour, tudo tinha certa excentricidade, própria do estilista, com momentos claramente desvirtuados da típica pré-estreia. Pra ficar mais claro: se Kristen Stewart aparecesse com a jaqueta jeans e a calça baggy de Saskia na pré de um filme protagonizado por ela, todo mundo falaria que ela é uma mal-vestida, que isso não é adequado pra ocasião – e tudo e tal… Mas será que então Marc valida esse look pra uma noite de gala? Ou é só um efeito de passarela? E isso precisa (ou deveria precisar) mesmo da validação de alguém hoje em dia? Deixando essas dúvidas de lado, o estilista é pop, e especialmente nesse desfile ele abraça a causa pop com força, de padronagem com o rosto de Maria Callas a Janet Leigh em “Psicose“. O camp não morreu, viva o camp! E anunciado o fim da sua 2ª linha, Marc by Marc, fica o recado: o show tem que continuar!

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