Marc Jacobs encerra NY em pegada camp, dark & sexy

15.02.2018 - 12:11 Desfiles Nova York comente!

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Em “Notas sobre Camp“, a pensadora e escritora Susan Sontag defende que camp é um esteticismo mas que ele não precisa ser ligado ao kitsch. Em suas próprias palavras: “Não só o camp não é necessariamente arte ruim, como certa arte que pode ser encarada como camp (…) merece a admiração e o estudo mais profundo.” Ou seja, esse exagero, esse artifício, não tem uma relação intrínseca com o cafona e o (às vezes involuntariamente) engraçado. Essa falta de relação parece ser o caso aqui, no outono-inverno 2018/19 de Marc Jacobs, que em meio a notícias de que John Targon entrou na marca pra assinar uma linha comercial (que não se sabe se vai chamar Marc by Marc novamente ou se simplesmente vai ser uma linha mais comercial da mesma Marc Jacobs) e de um estilista que está chamando mais a atenção que ele na Semana de Moda de NY (leia-se Raf Simons), decidiu colocar as mangas de fora… e os ombros. Ombros à Montana. Já anota que a tendência confirmou: casacos enormes, gigantescos. Corre no brechó mais próximo antes que acabe – essa onda que começou com Demna Gvasalia na Balenciaga e Vetements é a nova… coqueluche, pra citar uma gíria oitentista que tem a ver com esse clima.

Mais do que os casacos, todo aquele volumão exagerado à vestido de formatura americano que já tinha sido explorado como fundamento por Hedi Slimane em sua última coleção pra Saint Laurent e tem se desdobrado tão bem na mesma marca sob a direção de Anthony Vaccarello aparece em Marc nos cintos com laços exagerados-deformados, no floral, na combinação de cores com o preto. E os chapéus? A aba dramática, com a luz do alto, esconde os olhos das modelos em sombra (mais uma vez uma referência clara à Claude Montana, quase como uma encarnação viva de uma campanha do estilista). 

E o sexy, onde está? Como ser sexy sem muita pele aparecendo, sem transparência, sem curvas marcadas? No empoderamento: o visual é tão forte, de combinação de cores provocante, volume intimidador e resultado misterioso, que o esconder se torna mais poderoso que o mostrar.

O pouco cabelo que aparece é colorido, curto à Vidal Sassoon, jovial (e prático) perto de um visual tão adulto cheio de alfaiataria. E o camp, assim, não entra no campo do histérico, histriônico, risonho; tem outras notas de fundo e assim desce como um drinque escandalosamente chic. Um brinde!

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