Maison Margiela outono-inverno 2016/17

02.03.2016

Imagina o que o pessoal que falou mal da jaqueta Marks & Spencer com bordados Swarovski nas costas da figurinista Jenny Beavan no Oscar pensaria se soubesse que a gente achou essa coleção da Maison Margiela… bem glamourosa! É que a noção de glamour também muda, assim como a moda: é claro que ainda existe o código da elegância e riqueza mais “comum a todos”, mas é papel do criador de moda, principalmente numa passarela, questionar-repensar-transgredir esses símbolos pra, a partir daí, surgir o novo. E John Galliano, que chegou empurrando a porta na Margiela no começo de 2015, se mostra cada vez mais eletrizado, inventivo e provocador, com um trabalho consistente que, falemos a verdade, a gente não percebia mais no prêt-à-porter da Dior nos últimos anos de seu reinado por lá.

Pra esse outono-inverno 2016/17, ele inclui um pouco do que fez na alta-costura da linha Artisanal (o vestido cheio de ratinhos cartunescos estampados que explode-se-funde com uma pólo listrada ou o casaco azul que ganha uma “emenda” de vestido-pólo no meio) mas também traz uma versão um pouco menos, digamos, agressiva desse mélange. O miltarismo é uma constante, além da malharia (alguns pulôveres são assimétricos; mudam de cor, forma e tamanho na outra metade). E se uma roupa toda intrincada e cheia de detalhes não basta pra você ver o glamour, concentre-se no lurex japonês furta cor semitransparente ou no metalizado prata! Bem fino, bem bom, pra quem gosta de novidade de verdade – porque pra saber desconstruir uma roupa, é necessário saber construí-la. E poucos sabem construí-la melhor que Galliano.

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