João Pimenta SPFW N44

29.08.2017

Deus e o Diabo na Terra do Sol, questionamento de dicotomias, sagrado e profano, pureza e tentação. É interessante o timing de João Pimenta pra refletir nesse SPFW a respeito desse universo, com o conservadorismo crescente e a religião, mais uma vez, no centro de conflitos de intolerância. Mas também é menos um estudo crítico e mais uma constatação de que esses dois lados (de uma mesma moeda?) são menos contraditórios do que se imagina, conversam e se alimentam um do outro, coexistem.

Na pretensa assepsia branca do começo, o monástico reina no oversize em linho (uma versão bem interessante da tendência pros trópicos). A suave transparência sugere sedução. Na iconografia tem cruz, estrela de Davi, uma referência ao talit gadol judeu nas franjas saindo de um lado do cós da calça. E depois também tem pentagrama, labareda… Entra o vermelho e preto, à pomba gira. Bastante bordado de linha. As faixas de tecido que se prendem com fivelas de metal lembram uma referência sadomasoquista – tudo fica mais claro quando aparece a máscara e uma calça é tão baixa que o cofrinho vira cofrão. Mas é no fim, com o modelo Gabriel Sihnel, que os hormônios da plateia são mais provocados: sabe quando o paciente é internado no hospital e veste aquele aventalzinho que é aberto atrás? Então… Toda nudez será reverenciada. E a bunda era ainda mais bonita que a do Jon Snow, acredita? (Jorge Wakabara)

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