Handred vai de Ouro Preto modernista

26.10.2018

Depois da inspiração marroquina na coleção passada, pra onde a Handred pode ir? Ouro Preto! Você sabia que existe um hotel no local, o Grande Hotel, que foi criado por Oscar Niemeyer? O ano do projeto era 1938, ou seja, antes de Brasília; então ninguém deu muita bola e o local é uma pérola escondida do modernismo, daquele tipo que só iniciados conhecem. Como a Handred tem esse mix de moderno e colonial, a cidade mineira chega como inspiração em diversas frentes, inclusive nessa conexão Ouro Preto-Niemeyer, pra apresentação que rola no SPFW ao som de “Construção”, “Deus lhe Pague” e “Apesar de Você” de Chico Buarque e “It’s a Long Way” de Caetano Veloso na trilha. Sim: é um aceno político de posicionamento contra o discurso ditatorial que se avizinha.

E a roupa: seguindo no seu foco em fibras naturais, o estilista André Namitala cria plissado em linho (quem conhece propriedades de tecido sabe que é muito mais fácil fazer plissado em sintético do que em fibra natural; André precisou incluir o efeito na própria costura pra deixar a peça com as dobras), traz bastante peça ampla (algumas, longas, tem ar monástico referente à religiosidade da cidade que serviu de guia), cintura alta (pra eles, inclusive!). Listras e quadriculados convivem com uma bela estampa toda colorida representando a topografia de Ouro Preto; o bordado de linha aparece no bolso da camisa imitando um desenho que André encontrou numa porta; e outros arabescos, vetorizados pra lembrar os desenhos de Niemeyer, vieram do mancebo de uma igreja – são a coisa mais linda e aparecem quase no fim do desfile. Também é linda a imagem final, um look de três peças sobrepostas em branco, como se avisasse: precisamos de serenidade nesse momento. E fé. “Amanhã há de ser outro dia”. (Jorge Wakabara)

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