Gucci outono-inverno 2016/17

24.02.2016

Toda regra tem sua exceção, e a regra atual entre os fashionistas nessas últimas temporadas é que Alessandro Michele, o estilista da Gucci, é o novo rei. Mas o defeito que alguns apontavam (quase que de maneira inaudível) é que Michele era bom de bordado e de imagem de moda, mas peças com novidade em si ele não trazia. O vestido, o terninho, a blusa – acrescente um laço, um brilho, uma textura, algumas (muitas) cores e pronto. Bom, esse outono-inverno 2016/17 chega pra derrubar essa teoria, logo no 1º look, com uma atrevida manga presunto no trench branco. Aquela impressão de roupas vindo diretamente do brechó mudou: elas até parecem vindas do brechó mas a modelagem, o grafite (obra do artista Trouble Andrew) ou algum outro detalhe deixam claro que não. Elas são Gucci, elas são novas, e #todasquer!

As referências são derramadas à rodo pela passarela, a começar pela referência supercult da inspiração principal – a estrutura rizomática na teoria filosófica de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Ui! A pedidos, o estilista simplificou um pouco a história no backstage: “O Renascimento chega ao Studio 54“. Dá pra não levar ao pé da letra: é como se os anos 70 recebessem um surto de criatividade e descoberta, de exuberância (mais ainda!) e ousadia na mistura. Da meia colorida às franjas, das megaplataformas ao ombro projetado, do excesso de babados ao jacquard, das referências ao qipao (o vestido tradicional chinês) à cobra serpenteante que já se transformou em símbolo importante no universo criativo da marca, dos outros bichos (pássaros, panteras, a coruja na bolsa Dionysus) às padronagens supersetentistas – Michele não se limita a contar apenas uma narrativa ao longo do desfile, mas entra em várias, em um discurso fragmentado que tem tudo a ver com o jeito que a gente mostra e recebe histórias hoje. E assim a marca continua segura no posto de “a novidade da vez” – enquanto o ciclo da moda, arredio e traiçoeiro, já procura um “novo cheiro de novo” nas mudanças de diretoria artística que devem acontecer em grandes marcas ao longo do ano. A ver.

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