Gucci outono-inverno 2015/16

26.02.2015

Você já tem uma imagem formada da Gucci, não tem? É o jet set glamouroso de mulherões bronzeados e sensuais, com decotes profundérrimos e aquele esvoaçante que revela exatamente o necessário das curvas pra elas se sentirem ainda mais lindas. E aí apareceu Alessandro Michele no meio do caminho: o novo estilista da marca assumiu o posto faz meses, de surpresa, após a partida repentina de Frida Giannini, e decidiu causar. No lugar de pegar os signos da casa florentina e transformá-los, o que parece é que ele preferiu se perguntar como seria a nova sensualidade, para a qual a Gucci deveria apontar pra estar à frente do seu tempo, e basicamente ignorar os arquivos. E nesse outono-inverno 2015/16, a marca conquista um ar vanguardista que há muito tinha esvaecido (ou, pra maior exatidão, que ela não via desde a sua era Tom Ford).

Essa tal nova sensualidade se guarda na androginia, fugindo do “exagero do gênero”, com decotaços e superjustos. Até a transparência, que poderia ser extravagante, não parece tão ousada em si apesar de mostrar tudo. É o mistério de “ele ou ela”, isso sim, que atrai. Tudo fica mais sutil. E calças e casacões unissex dão uma aura excêntrica pros looks, de personagens de Wes Anderson – aquele estranho que desperta curiosidade e tem uma imagem de tanta personalidade que fica bonito.

Mas será que existem símbolos da marca escondidos em algum lugar? Um exemplo é o mocassim tradicional subvertido em pantufa. Talvez o cinto com a fivela GG e a bolsa com o monograma estampado (e flores pintadas ou bordados em forma de insetos) sejam o mais próximo da Gucci de 6 meses atrás. Até o floral escolhido por Michele não é o clássico Flora – e sim um floralzinho com cara de almofada da casa da avó. O retrô de década indefinida atravessa toda a passarela: as saionas plissadas midi podem falar de anos 50 ou 70; a alcinha levinha é 20 ou 90?; e os laços das camisas no pescoço são 30 mas tão 70…

O luxo aparece numa opulência tão fora de contexto que fica irônica: um bordado tão volumoso de pássaro que chega a ficar em relevo, um casaco de pele em styling nerd… Chacoalhou e fez o olho fashionista brilhar – porém também é importante lembrar que a Gucci é uma marca globalizada. Será que essa imagem vai reverter em vendas? A ver!

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