Fernando Cozendey outono-inverno 2018

11.11.2017 - 11:13 Desfiles comente!

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O inimigo são os outros? O inimigo somos nós mesmos. A gente se cobra perfeição – ainda mais hoje, em época de selfies, Instagram como o retrato de vidas agitadas e interessantíssimas, influenciadores digitais que ditam o que é mais legal e que você pre-ci-sa ir-assistir-ver-frequentar-ter-falar. Fernando Cozendey também foi vítima de suas cobranças, olhando pros outros estilistas e se comparando, ouvindo papos de que “você devia estar rico, precisa fazer roupa que vende”… Ele fez, principalmente na temporada passada, quando se jogou no jeans. E como se sentiu? “Infeliz. Não quero trabalhar nesses termos. E se for pra ficar pobre, tudo bem, mas quero fazer o que eu gosto”, ele conta no backstage. É por isso que o estilista volta a trabalhar com lycra, sua paixão, e a discutir questões que, mesmo muito pessoais, também dizem respeito ao nosso tempo, respondendo ao que está rolando na sociedade. “A questão mais urgente que a gente tem é a humana”, explica.

Como o trabalho dele nasceu pra mulheres, Fernando pesca um clima de anos 20 com as franjas melindrosas pra captar esse clima de maior liberdade feminina: jogando o espartilho fora, rompendo com convenções de gênero. Life is a cabaret! Uma coisa interessante é que, por mais que o estilista afirme que não gostou da experiência de fazer roupa “mais normal”, essa incursão talvez o tenha influenciado a se aproximar de um equilíbrio comercial à sua maneira: tops e bodies megassensuais estão superaptos a comparecerem na balada mais próxima em um público bem amplo. E a celebridade que for com o vestido longo e ultradecotado cheio de franjas-correntes a algum tapete vermelho vai lacrar tudo! Alô, Anitta?

Os looks, todos pretos, começam um tanto comportados na sequência do desfile, fechados, e vão se libertando: fendas, recortes, tapa-sexo e transparências exibem cada vez mais esse corpo que não tem que ser “perfeito” (o que é um corpo perfeito?) mas precisa ser livre. Autoafirmação e afrontamento: pode ser gorda, baixa, velha, magricela, preta, com um peito diferente do outro, sem uma perna. Exiba-se. O conservadorismo quer que o diferente se esconda à margem: corra pro centro e faça a sua melhor pose. Isso é mais que um close: é posição política. (Jorge Wakabara)

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