Categorias: Desfiles SPFW

Fernanda Yamamoto: sensibilidade e verdade

24.04.2018

A estilista Fernanda Yamamoto prefere fazer um desfile por ano no lugar da sazonalidade frenética da moda. É que os seus desfiles são cada vez mais profundos, processos introspectivos que depois viram um show de camadas de significados. E pra essa primavera-verão 2018/19 ela se inspira na comunidade Yuba, que é autossustentável e rural, de trabalhadores da lavoura que também valorizam o alimento espiritual: a arte. Todo dia, depois do trabalho de manhã na plantação, eles reservam a tarde pros afazeres artísticos: música, teatro, dança, haikai, cerâmica. Isolada (600 km de SP, nos arredores de Mirandópolis) e formada por imigrantes japoneses com fundação em 1930 de Isamu Yuba, ela tem valores sociais que anacronicamente soam supermodernos e na verdade deviam ser ancestrais: o respeito à natureza, o zero desperdício, o convívio humano.

Na moda em si, Fernanda traz referências de sobreposições e amarrações próprias da lavoura e também tingimentos artesanais (cúrcuma, cebola, feijão preto, índigo, cochonilha, carvão, semente de avocado). Ela também pensou na diminuição de resíduo têxtil nos cortes e na busca de técnicas manuais – o plissado que lembra o trabalho japonista de Issey Miyake vem da costura pra fazer shibori, por exemplo. E, claro, a gente viu representantes da comunidade desfilando e tocando – Yarani Assaka Yuba abriu a apresentação no violoncelo com a música “Taiyou Ga Atsuikara”, composta por Sestsuko Higuchi e Masakatsu Yazaki, ambos de lá. Difícil não se emocionar com roupas tão belas e uma história tão verdadeira. (Jorge Wakabara)

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