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Fause Haten primavera-verão 2015/16

17.04.2015

Muito se fala a respeito dos desfiles de Fause Haten hoje: que são muito dramáticos e exagerados, que desviam o foco da roupa pra outras coisas (como nas vezes em que ele cantou, ou nas que ele se colocou em cena como elemento-chave). Quando opta-se por não fazer do mesmo jeito que os outros, não dá pra esperar a unanimidade, mesmo. E é melhor o risco do que o tiro “mais certo”? É uma opção de cada um, bem relativa.

Só que a primavera-verão 2015/16 de Fause surpreende em vários aspectos! Quando a imprensa recebeu a notícia de que a apresentação seria em forma de performance, todo mundo esperava mais um jogo teatral. Depende do que você entende por teatro: ela foi simples, “limpa”, sucinta, praticamente cerebral de um jeito que Fause nunca se apresentou. De um lado, a arara com as roupas; do outro, uma arara vazia; Fause vestindo sua cliente Flavia Sahyoun com cada look ajudado por dois integrantes de sua equipe e por Ricardo dos Anjos, que ia fazendo os retoques na beleza dela; pianista tocando ao vivo; descrições precisas de cada look ao microfone, na grande maioria feitas pelo próprio estilista. Algumas mudanças, poucas, ao longo do processo: uma hora a plataforma em que Flavia se encontra gira; em outra, Ricardo passa um batom mais escuro nela. Com esse minimalismo em seu modus operandi, Fause permite que questões interessantes emerjam: a mulher parada, despida e vestida repetidamente, metáfora pro trabalho do estilista hoje; o fato de Flavia ser uma mulher madura e com o corpo “normal”; a espetacularização do look no “mundinho fashion”. Quanto à coleção, ela conta com um lado casual chic que Fause há algum tempo não mostrava, e os looks de festa são longos coluna com brilhos – o resultado passa a impressão de um guarda-roupa funcional. Tem quem diga que Fause deveria se especializar no universo do entretenimento de vez fazendo figurinos pra artes dramáticas e espetáculos musicais – mal sabem eles que o mundo em que as coisas são compartimentadas ficou no passado, e essa queda de barreiras não só é interessante como já é concreta. (Jorge Wakabara)

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