Fabia Bercsek outono-inverno 2017

09.11.2016

O pessoal fashion adora um clichê linguístico, e está em alta agora falar de uma moda “mais possível”, no sentido de ter uma roupa de passarela mais próxima da rua e do consumidor. E como injetar essa “possibilidade” mantendo o status de desfile, com propostas frescas e imagens aspiracionais? Fabia Bercsek tem se mostrado mestra nisso desde que começou essa nova fase na Casa de Criadores, fazendo essa tal moda mais possível só que do seu jeito – ou seja, ousado e não exatamente algo que vai agradar todos os paladares; desafiador criativamente pra ela e pra quem for usar mas, sim, “usável”. Exótico (olha o tecido com os caracolzinhos meio pijama infantil, o brilhoso tipo legging de popozuda), mas repara também no vestido com estrelinhas bem meigo que já está à venda no site Passarela! A estilista já usava de um expediente que, depois que a Vetements fez (e muito bem), ficou com cara de novidade mas não é a descoberta da pólvora: parcerias que viabilizam seu desfile e espalham suas criações com empresas maiores que tem expertise em áreas específicas. Foi assim, faz tempo, com a Adidas; foi assim faz menos tempo com a Cravo e Canela e é assim agora com a Passarela e a Rhodia, que quer bombar o Emana, fio que vai no jeans e aumenta a circulação, a elasticidade da pele e, consequentemente, reduz celulite. O Emana da Fabia tem lavagens assimétricas, a calça-minissaia (com o cavalo mais baixo e aberto), o babadinho no cropped sem manga e desenhos coloridos feitos à mão – a versão comercial também vai trazer algum diferencial estético além da modelagem segundo a estilista.

Ela também conta que, depois de criada a coleção, assistiu ao clássico do filme de ação-sci-fiO Exterminador do Futuro” na TV e bateu uma relação: “Estava tudo ali!” É por isso que a trilha sonora da apresentação se refere à sequência, dando um tom meio apocalíptico (que talvez seja bem adequado pra 2016…). Mas essa Sarah Connor não precisa de proteção: tem algo de mulher guerreira ou ao menos poderosa nela, com camuflado, referências a uniformes (especialmente o militar), a perfecto que é uma constante no trabalho de Fabia, pelo sintético nas mangas, o escarpin pink (também da Passarela) bem oitentista. E tem também a chemise, que ela revela ser a 1ª camisa branca que fez na vida! Ficou ótima; devia fazer mais! (Jorge Wakabara)

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