Estreia da Cacete Company é pós-pornô

30.10.2018 - 06:30 Desfiles SPFW comente!

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Eles já participaram do Projeto Estufa e agora chegam no line-up do SPFW com toda a sua ironia streetwear que já é notada pelo nome provocativo. Mas nem tudo é sátira – no começo, um texto do escritor Marcelino Freire declamado pela atriz Naruna Costa (dá uma busca no YouTube que vale a pena) ecoa na caixa de som. A Cacete Company é assim, participando no que está à margem, com casting inclusivo, reforçando seu lugar no debate político.

E o que é pós-pornô? “É a questão dos corpos normais, fora do padrão, também serem desejados”, o estilista Raphael Ribeiro, que divide a marca com Tiago Carvalho, explica. A linguagem da Cacete é libertária e não é pra qualquer um: traz malha com buraco atrás pra deixar a bunda exposta; mostra uma cena pixelada de sexo oral entre homens numa camiseta e homenageia jogos aquáticos (fetiche com urina) em outra. Até o bordado com clima moda festa é atrevido: uma citação ao mesmo fetiche, a chuva de ouro, com canutilhos esverdeados e brilhosos

A estreia da Cacete é de gente grande: tem bastante variedade de material, de chiffon e cetim de seda até jeans estonado, sem deixar de lado o que a caracteriza. Do seu DNA, o underwear pra mostrar, o street com cara esportiva, o elástico com logomarca. Polêmica, arrojada em sua ousadia, a Cacete adquire uma aura de resistência com a atual conjuntura. Bem-vinda. É nas vozes dissonantes que nos mantemos coerentes à nossa diversidade. (Jorge Wakabara)

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