A Dior entra em clima de protesto

27.02.2018

Estamos entrando em março de 2018 – e você percebeu que faz quase 50 anos que Paris foi tomada por protestos? Em maio de 1968 houve greve, manifestações e ocupações de fábricas e universidades cheias de ideais esquerdistas, comunistas ou até anarquistas, depois suplantadas pelo governo francês. É estranho que uma marca de luxo como a Dior use isso como inspiração? É sim, mas ao mesmo tempo ela cria uma ponte que faz sentido, já que tem se alimentado da retórica feminista nas suas últimas coleções, e é por aí que ela segue nesse outono-inverno 2018/19 apresentado na Semana de Moda de Paris. A revolução aqui é tratada mais pra reivindicação de direitos iguais entre gêneros e a liberação feminina. No primeiro look, a blusa de tricô usada pela musa da marca Ruth Bell já avisa que “a resposta é não, não, não e não!”

A Dior de Maria Grazia Chiuri também já vinha se aproximando do look mais casual e real, mas aqui ele traz um gosto especialmente urbano, de street style, que tem a ver com a inspiração. O artesanal flower power também dá a nota aqui em patchworks, bordados, macramês, aplicações – mas o clima ripongo se quebra com o couro preto, a alfaiataria, as botas. Ainda assim, os anos 70 que despontavam em 68 é que climatizam a coleção. Chama a atenção o prateado (provavelmente representando a corrida espacial e a proximidade da chegada do homem à lua em 1969), os patchworks em faixas estampadas nos vestidos e saias (com ar de vovó, o mesmo explorado atualmente por Demna Gvasalia na Vetements e Balenciaga), os vestidos brancos levinhos, os bordados de linha em flores românticas sobre transparência. Faltou só um poncho-e-conga! Veja mais na galeria.

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