Chanel alta-costura outono-inverno 2013/14

02.07.2013

“O velho mundo e o novo mundo”, by Chanel. Europa e América? Não: parece que Karl Lagerfeld quer falar de outra coisa quando coloca esse título na coleção de outono-inverno 2013/14 de alta-costura. O “velho”: o Grand Palais foi transformado em um teatro cenográfico antigo e decadente. Até os bancos pareciam sujos. Por trás da cortina empoeirada… uma nova cidade, brilhante em sua glória – o futuro. De lá, saíam as modelos. E na roupa, esse jogo velho-novo continua: temos aqui, por exemplo, uma espécie de nova anágua, de camurça, aparecendo por baixo da minissaia de tweed; temos um novo ombro estruturado, bem quadrado (o ângulo reto, aliás, é uma constante nas imagens que aparecem na passarela); surge uma nova versão da bota que Karl tanto gosta, longuíssima e justa como uma meia; e as finíssimas fitas de cetim aplicadas com um novo efeito de brilho. Alguns looks, mais coloridos, ganham um quadriculado formado por delicadas dobraduras – de longe, parece um bordado folk; de perto, é um outro tipo de trabalho artesanal bem perfeccionista. Uma outra versão desses quadriculados já remete a azulejos modernistas. E o cintão, que quebra tudo? E as sobreposições com novos jogos de proporção e comprimentos? Essa pegada com visual tecnológico que o estilista consegue dar usando técnicas de ateliê, ao lado das experimentações da Dior de Raf Simons, mostram caminhos possíveis pra alta-costura como um todo. Num tempo de banalização da roupa com o fast-fashion, que venham ainda mais experimentos. O novo.

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