Andrea Marques junho 2016

16.06.2016

Andrea Marques fez muita falta nas passarelas, e ela parece saber disso ao se inspirar em uma visão poética do Rio, quase como um agradecimento charmoso pela cidade receber um desfile seu novamente. O timing é ótimo: a cidade está mesmo no olho do furacão pré-Jogos Olímpicos e ao mesmo tempo precisando levantar sua bola no quesito moda. 

Essa poesia carioca vem nas curvas sinuosas da arquitetura, do calçadão, da geografia; na brisa fresca do mar, nas gaivotas que enfeitam o céu. Andrea também volta diferente – nunca trabalhou com a leve organza e nunca fez tanto bordado antes (plumas e brilhos estrategicamente localizados). Ela até brinca: “Descobri talentos pra bordar no ateliê!” Mas, claro, sua sofisticação descomplicada continua afiada, na modelagem ampla, na assimetria e na medida certa dos adornos. A sensualidade é fina, nos ombros ou costas de fora, mais a favor da mulher, sinuosa como um jazz. E o sapato é uma delicadeza à parte, mule esperta com fita que sobe e se amarra no tornozelo. Chic como uma deliciosa água de coco natural, direto da fruta. (Jorge Wakabara)

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