Alta-costura alucinógena na Martin Margiela Artisanal

23.01.2019

Seria maldade começar esse texto falando que John Galliano tomou um ácido pra criar a coleção primavera-verão 2019 da Martin Margiela Artisanal, dado o histórico de dependência química que quase arruinou pra sempre sua brilhante carreira na moda. Mas há uma boa dose alucinógena aqui, no cenário hipercolorido caótico, que remete ao artista americano Kenny Scharf, e também nas roupas que reproduzem esses desenhos – tudo isso com efeito duplicado pela passarela espelhada. Só pra você ter uma ideia: o mascote da coleção é um poodle é azul Yves Klein, que tal?

Dito isso, vamos à versão que Galliano explicou à imprensa através de um podcast! Ele quis falar da decadência nas artes em geral e, pra ele, a decadência passa por todo tipo de excessos: do turbilhão de informações que chegam ao radar da geração Z a todo minuto à editora de moda Isabella Blow (1958-2007) que limpava sua mesa de trabalho com Chanel Nº5, entre outros exemplos díspares.

No meio dessa explosão de cores, tons neutros como cinza e bege mostram que Galliano não renega a forte identidade do fundador da marca, o belga Martin Margiela. Ele desconstrói as peças, transforma casacos em bermudas, vira tudo do avesso, valoriza costuras aparentes etc e tal. E derruba qualquer restrição de gênero, mesmo na alta-costura, colocando indistintamente homens e mulheres na passarela. Vale a pena conferir! É só clicar na foto pra ver todo desfile!

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