A resistência de João Pimenta

25.04.2019 - 16:00 Desfiles SPFW comente!

Ver mais fotos

“Acho piegas essa coisa de manifesto, mas temos esse espaço e a história toda da política está interferindo muito na minha vida, no universo do meu cliente. Eles fazem parte do grupo que está sendo mais afetado. São artistas, pessoas que trabalham com dança, teatro, que dependem de leis que ajudam. Acho inclusive coerente trazer esse manifesto porque estou falando do meu cliente”, João Pimenta explica, um pouco antes do seu desfile na SPFWN47.

Portanto, isso é uma manifestação – e não é piegas, do jeito que ele acredita, principalmente porque se faz necessária na pluralidade de vozes que temos escutado das passarelas, passando por ufanismo (via PatBo e Patricia Viera) e diversidade fake-domesticada (em Amir Slama, que contempla corpos e idades mas cada um em seu devido grupinho, sem misturar). João fala de ditadura e truculência (com militarismo, sacos plásticos na cabeça das práticas de tortura, roupas manchadas-gastas-dramáticas), de juntar cacos (em forma de tecidos de coleções passadas ressignificados). Usa a metáfora do kintsugi, a técnica japonesa de porcelana que reconstrói a peça quebrada usando ouro e valorizando-a ainda mais, deixando clara a “cicatriz”. Ao mesmo tempo, traz roupas belas: o terninho azulão em zibeline; a risca de giz com decote superprofundo; os homens de saia, vestido, renda. A beleza como resistência em meio ao caos. (Jorge Wakabara)

Tags:                                            

Compartilhe Imprimir Google + Pinterest Whatsapp

Escolhas da Lilian

Últimas