A realidade não é perfeita – veja na Cotton Project

26.10.2018

O conceito de hiperrealidade: mistura entre o real e o artificial, um blend de retoques, edições e ficções que formam bolhas. A vida é como no Instagram, plena? O seu bairro é um reflexo de todo o mundo? Você olha pra realidades que não são as suas? Esse tipo de questões complexas e profundas é o que a Cotton Project promove na sua nova coleção apresentada no SPFW, mas elas aparecem de maneira leve, mais no discurso do que na moda em si. Apesar de existirem ironias: a camiseta que te convida a beber pra ficar feliz; a estampa que traz mulheres interagindo com lixo; a frase “Na era da individualidade, o que faz as pessoas ficarem seguras é ver o reflexo delas mesmas” estampada na bolsinha. Que tal olhar o outro? No casting, sem alarde, os mais observadores vão reparar numa variedade de tom de pele mais condizente com a nossa população.

Cores deliciosas (destaque pros tons de azul), muitas listras e a estreia da moda feminina na marca (meninas já desfilavam antes pra Cotton mas com roupas de menino, e agora ganham vestidos e modelagem específica pra elas) são os destaques – e também a garrafinha que é térmica e vem com um mosqueteiro pra você prender no passador de cinto da calça, na bolsa ou na mochila, e não precisar mais comprar garrafa pet e aumentar o lixo plástico.

Ah, e pra quem não entendeu direito o primeiro parágrafo: o diretor Rafael Varandas e o estilista Acácio Mendes entram pra agradecer no fim com adesivos colados no peito. Haddad 13. (Jorge Wakabara)

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