O novo perfume da Kenzo, segundo o homem que o criou

Aurea CalcavecchiaPatrick Guedj, o diretor criativo da Kenzo Parfums

Patrick Guedj é o cara que criou o perfume de mais sucesso da Kenzo: o Flower. E apesar de rodar o mundo fazendo pesquisas, fotografando e escrevendo sobre isso, ele não é um perfumista, e sim o diretor criativo da Kenzo Parfums. Patrick está no Brasil pra lançar o novo produto da marca, Madly, que saiu de uma história criada em papel pra um frasco-design pensado antes da própria fragrância assim como todos os outros desde que ele entrou na empresa, há 11 anos. A conversa que Blog LP divide aqui com você é sobre isso e mais da indústria pra qual ele trabalha, confira:

Como foi o processo de criação desse novo perfume (Madly, que chega ao Brasil em setembro)?
Eu sempre trabalho da mesma forma: o cheiro não vem 1º. O 1º passo é a história que criamos e isso é uma fase bem abstrata – a criação do conceito. No caso de Madly, por exemplo, queríamos criar algo livre, que falasse pra pessoas: enlouqueçam! Depois disso especificamos todo o universo em volta dele, as imagens, campanha, vídeos… E aí sim passamos isso tudo pros designers e perfumistas. Pedimos pro perfumista Aurélien Guichard também enlouquecer enquanto criava a fórmula porque é tudo baseado nessa sensação de liberdade. Ela é bem expressada no filme que produzimos e aparece no frasco (obra do designer Ron Arad, inspirado no movimento da asa de uma borboleta).

Existem tendências nessa indústria?
Eu não trabalho com isso. Porque se trata de oferecer um conceito original, de trazer um universo novo pra vida das pessoas. Precisa ser verdadeiro.

Alguns perfumes estão há muito tempo no mercado e dá pra notar que sofreram mudanças ao longo do tempo em suas fragrâncias. Isso é proposital?
Acontece de um dos ingredientes da fórmula acabar, de ser proibido, como é o caso de produtos testados em animais e coisas do tipo. E aí é preciso substituí-los, mas não se trata de uma mudança pensada por nós.

Mas as pessoas não se cansam do cheiro?
Sim, acontece muito das pessoas usarem um perfume por anos e cansarem. Aí elas param e um tempo depois voltam a usá-lo. Mas isso não é motivo suficiente pra se mudar a fórmula de um perfume, porque você estaria traindo aqueles que estão bem acostumados com o produto que usam. Seria uma espécie de traição. É muito perigoso mudar o cheiro de um perfume.

DivulgaçãoMadly chega em setembro ao Brasil e custará R$ 249 (50 ml)

Como é a relação da sua equipe com a divisão de moda da Kenzo? A chegada de uma nova dupla de estilistas (Carol Lim e Humberto Leon, da Opening Ceremony) faz alguma diferença no seu trabalho?
Nós não acompanhamos os lançamentos, porque o timing é muito diferente, mas trabalhamos em cima dos mesmos valores que são da marca como um todo. Essa mudança na moda não nos afeta a princípio. Se afetar em alguma coisa será pra algo positivo. Mas trabalhamos separadamente. Eu ainda não os conheci – em agosto iremos nos reunir pra conversar sobre os novos rumos da marca – serei apresentado a eles.

Você já rodou o mundo fotografando pra campanhas e livros sobre perfumes. Que lugares te chamaram a atenção em relação aos cheiros e tradições?
A Índia sem dúvida tem uma cultura muito forte nessa área. Faz parte do dia-a-dia: o cultivo das flores, os rituais hindus, as flores dos templos. Isso é muito presente na vida dos indianos – e se dá de uma forma muito diferente da nossa, onde fabricamos produtos a partir dos óleos. Eles usam isso no cotidiano. E há o grande mistério da Rússia… O Flower By Kenzo é o nosso best-seller e o único país onde ele perde pro L’Eau par Kenzo é na Rússia. É engraçado! Não sabemos bem o motivo – e eles são um mercado muito importante pra nós.

Falando em mercado… Um dos grandes problemas das grandes marcas hoje é a pirataria. Como a Kenzo lida com isso?
É uma injustiça. Tantas pessoas trabalham, oferecem seu talento pra criação de um perfume. Fora o perigo, por se tratar de algo em contato direto com a pele. Existem 2 tipos de pirataria nessa área: uma em menor escala, onde as pessoas tentam imitar fragrâncias de uma forma quase caseira – e eu chego a colecioná-las! – e outra, que é o grande problema, que acontece em grandes fábricas e se espalha por todo o mundo [Obs.: Pra reconhecer um perfume original no Brasil o consumidor deve procurar o selo da Adpac].

E qual é a postura da empresa em relação à preservação do meio ambiente?
Existem esforços no sentido de desenvolver ações mais sustentáveis. Mais naquilo que rodeia o perfume do que em sua fórmula: embalagens que ofereçam menos desperdício, a otimização total na hora de transportar os produtos pra todo o mundo.

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