Detox de desodorante pra já!

Montagem Blog LP/Divulgação
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Vem ver as opções de desodorantes à venda no Brasil!

Você sabe a diferença entre antitranspirantes e desodorantes? Localizados lado a lado nos pontos de venda, esses produtos podem causar dúvidas no consumidor, mas antes disso geram polêmica na comunidade médica e científica. O desodorante serve pra remover o odor das axilas e o antitranspirante atua reduzindo a quantidade de suor produzido. Boa parte dos antitranspirantes hoje funciona também como desodorante, aliando as duas barreiras.

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Segundo a dermatologista Valéria Campos, membro da SBD, o Brasil é o país que mais usa desodorante (e suas variações) no mundo! “89% dos usuários tem esse tipo de produto e ele é causa de muita irritação, muita alergia, por conta do alumínio, dos parabenos e do triclosan“, conta a doutora. E são exatamente estes ingredientes citados por ela que são alvo das pesquisas, a começar por uma suspeita grave: a de que eles podem ser cancerígenos. Valéria explica melhor em entrevista pro Blog LP:

Como funciona a sudorese nas axilas e o que exatamente previne o mau cheiro?
Suor não tem cheiro. É a flora, fungos, bactérias presentes nas axilas em contato com este suor que dão o cheiro. Pra isso são usados ingredientes antissépticos bacteriostáticos (que detém a multiplicação das bactérias), como o triclosan, nos desodorantes pra preveni-los. Ou previne-se o suor por meio dos antitranspirantes – a maioria une os dois.

Homens têm cheio mais forte que mulheres ou isso é uma lenda?
Eles têm sim. O pH do suor do homem é mais ácido, portanto mais propício pro ataque de microorganismos, que o da mulher. O dos homens é 5.6 e o das mulheres é 7 (neutro). É interessante procurar produtos próximos do pH natural do suor. Algumas pessoas usam bicarbonato de sódio pra elevar o pH e assim neutralizá-lo.

Quais são os vilões nas fórmulas dos desodorantes e antitranspirantes?
O triclosan pode dar alergia, irritação, coceira, escurecimento das axilas, mas não há problema em usá-lo caso a pessoa não tenha nenhuma reação. No Brasil gosta-se muito dos antitranspirantes, que têm cloridróxido de alumínio na fórmula, pra inibir a sudorese. E este alumínio – e as variações em cloreto e cloridrato – é controverso, a gente não sabe ainda, mas talvez tenha realmente alguma ligação com o câncer. Além disso, ambos costumam ter parabenos na fórmula, um tipo de conservante barato, que também pode estar ligado à doença.

De onde vem a suspeita da potencial ação cancerígena?
O câncer de mama aumentou. Alguma coisa está acontecendo. Se é o desodorante (ou os antitranspirantes), a gente não tem certeza. Que o alumínio penetra no organismo já se sabe, só não há certeza se realmente é cancerígeno. No caso do parabenos, em alguns estudos ele foi encontrado no corpo do câncer, ou seja, também pode ser.

Algum país proíbe o uso deles?
A Europa é muito rigorosa na questão de aprovação e nenhum dos dois é proibido lá. Agora, se há a dúvida é melhor prevenir! Os americanos são os que ainda investem mais em pesquisas na área. Mas também não sabemos se isso envolve interesses econômicos, porque fórmulas com alumínio são baratas. Pode ser que haja um interesse em lançar produtos mais caros…

Como minimizar os riscos?
A pele é um órgão de defesa muito bom, mas um bom alerta é pra questão do spray ou aerosol, que você acaba aspirando, ou seja, ingere diretamente. Se o produto contém alumínio, segure a respiração na hora de aplicar, porque a substância ainda fica no ar durante um tempo, e saia do ambiente antes de voltar a respirar.

E quem deve evitar totalmente o uso de triclosan, alumínio e parabeno?
Pras gestantes o ideal seria evitar qualquer coisa – nestes casos indicamos o uso de cutipure ou a manipulação, que acaba sendo uma boa alternativa também pra quem não está grávida mas quer simplesmente evitar esses ingredientes. É difícil encontrar no Brasil antitranspirantes sem alumínio, orgânicos e certificados – lá fora tem mais opção. Por isso é interessante procurar um dermatologista pra formular algo. O próprio cloridróxido de alumínio já seria menos irritante do que o cloridrato, o mais comum.

Blog LP pesquisou os produtos disponíveis no mercado brasileiro que não contém os ingredientes polêmicos e te mostra aqui na galeria – clica na foto pra abrir!

Alva: (47) 3433-6830
Biotherm: 0800 701 7323
Dove: 0800 707 4141
Garnier: 0800 701 0114
Johnson & Johnson: 0800 703 6363
L’Occitane: 0800 171 272
Onofre: (11) 3111-6533
Rexona: 0800 707 7512
Sephora: (21) 3543-5949
Tisserand: (11) 3081-5217
Weleda: 0800 77 22 777

ATUALIZAÇÃO: O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer enviou nota de esclarecimento sobre esta matéria ao Blog LP, reforçando o que já foi escrito na matéria e o que foi dito pela dra. Valéria Campos, de que ainda não existe nenhuma conclusão sobre o possível fator cancerígeno nas fórmulas. Segue a nota na íntegra:

O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) gostaria de ressaltar que a suspeita apontada na matéria ” Detox de desodorante pra já!”, publicada em 28 de janeiro de 2015, no Blog da Lilian Pacce, e destaque da home do Portal MSN, mostrando que elementos presentes no desodorante podem ser cancerígenos, não é comprovada cientificamente. Os estudos existentes ainda não são suficientes para levar a uma conclusão, tornando impossível afirmar que a exposição a esses elementos é responsável pela mutação do DNA que poderia levar ao câncer.

O hospital alerta que o tecido cutâneo (pele) é capaz de absorver substâncias que cairão na corrente sanguínea e causarão efeito no organismo, ou seja, qualquer substância em contato com a pele poderá ser absorvida e agir no organismo. Por isso, existem várias medicações que são prescritas por esta via, que é uma alternativa às vias oral, retal e nasal, dentre outras.

Os desodorantes e antitranspirantes, especificamente, têm ação local na superfície da pele e atingem as glândulas sudoríparas e não os tecidos mamários.

Por outro lado, é fato que o quadrante superoexterno da mama registra a maior incidência de câncer de mama; porém, é o que possui a maior quantidade de tecido mamário, o que justifica a incidência mais elevada de câncer de mama no local. Além disso, devemos salientar que o câncer de mama é originário do tecido mamário e não da pele, o que não permite relacionar cientificamente o uso de desodorantes e/ou antitranspirantes ao surgimento da doença.

A matéria supracitada, da forma como está redigida, pode causar comoção e aumentar o medo entre as mulheres. Por isso, o IBCC solicita a publicação desta nota juntamente com o texto original, assim como a alteração da manchete de capa do portal MSN.

Prof. Dr. Marcelo A. Calil, diretor-médico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC)

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