À moda de Sonia Delaunay

A homepage do “Style.com” anuncia um guia de compras com seleção de itens da editora de moda: um sapato de salto alto da Prada feito de camurça com linhas que criam recortes entre tons de roxo, lilás, bege, azul marinho e preto; um colar da Marc by Marc Jacobs com um pendente quadrado, grande e amarelo sobreposto por formas geométricas douradas; um brinco da H.Stern feito de ouro branco e diamantes lapidados em pequenos retângulos, ligados entre si em formato de cascata. É que a moda agora está num momento art déco, diz o texto. E esse momento tem tudo a ver com a exposição “Color Moves: Art & Fashion by Sonia Delaunay“, que abre as portas no Cooper-Hewitt National Design Museum. Pronto! É uma deixa do Blog LP pra falar sobre a artista!

Reprodução

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Sonia Delaunay (ali, do lado direito), em 1924

Sonia Delaunay (1885-1979) é tudo. Mas tudo mesmo! Como artista e designer moderna, trabalhou com pintura, moda, estamparia têxtil, figurino, cenografia, design de interiores – é muito associada com a introdução da arte na vida cotidiana através de roupas, acessórios e outras coisas mais. Nascida na Rússia, estudou arte em São Petesburgo e, mais tarde, se mudou pra Paris onde conheceu o pintor Robert Delaunay, com quem teve uma forte parceria profissional (e pessoal, já que eles se casaram depois). Juntos, fizeram mil e um estudos acerca do uso da cor e desenvolveram a teoria da simultaneidade, que trata da sensação de movimento que emerge a partir do posicionamento próximo de cores contrastantes. O resultado é a obra dela, trabalhada numa estética abstrata, com linhas e formas geométricas em combinações de cores primárias (como azul, vermelho, amarelo) e, às vezes, tons terrosos.

Pra começar, nos anos 10, ela se envolveu com a poesia (até colaborou com o poeta suíço Blaise Cendrars e o escritor romeno Tristan Tzara em alguns projetos). Mas foi lá pelos anos 20 que ela, com uma pegada muito experimental, usou a arte gráfica pra fazer uma fusão simbólica de palavra, o corpo e movimento, resultando em seus vestidos-poemas. Depois deles, veio o Atelier Simultané, um lugar onde ela criava tecidos estampados e fazia peças de roupa e acessórios a partir deles. Em 1925, a pedido do estilista Jacques Heim, a artista criou uma vitrine com suas peças de roupa pra uma exposição de arte moderna na cidade. Fez tanto sucesso que abriu uma marca, a Maison Delaunay, que vestia uma clientela fina – tipo Gloria Swanson e as esposas de vários arquitetos bombados, como Marcel Breuer, Erich Mendelsohn e Walter Gropious.

A marca não sobreviveu à crise de 1929, mas tudo bem – a loja de departamento holandesa Metz & Co. se tornou a via de produção e comercialização das criações da artista pelos 30 anos que viriam depois. Mais pra frente, ela se voltou mais pra pintura, mas não deixou de fazer suas experimentações com superfícies têxteis. Ela diz que suas pinturas se tornam “mais acessíveis e compreensíveis através dos tecidos“.

Talvez por isso é que Sonia Delaunay se tornou uma referência eterna pra moda – pelo menos pra Miuccia na Prada; Rei Kawakubo na Comme des Garçons; Consuelo Castiglioni na Marni; Angela na Missoni; Jean Paul Gaultier, Behnaz Sarafpour… E a lista aumenta…

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