Só se fala de...

A consultora da Lanvin no Brasil

14.08.2009 - 18:00 um comentário

Ela é especialista em Guy Bourdin e veio pra SP especialmente pra exposição sobre o fotógrafo que começa amanhã pro grande público no MuBE. Ao seu lado, de férias, circula por SP uma designer muito bacana com bastante experiência em grifes parisienses, como a Balmain. Shelly Verthime e Peggy Huyn Kinh passaram na redação do Blog LP nessa semana e a gente aproveitou pra trocar umas palavrinhas com elas. Shelly, além de ser a curadora internacional da mostra “A Message for You (o nacional é Chico Lowndes), é consultora da Lanvin! Quer saber mais? Confira os destaques do nosso bate-papo:

O trabalho de Shelley na Lanvin
Shelly: É de consultoria. Alber Elbaz foi meu aluno numa escola de moda de Israel, a Shenkar School of Fashion and Design. Quando entrou na Lanvin, me chamou para trabalhar com ele – também trabalhei com ele na Guy Laroche. Trabalho no estúdio, na definição do conceito da coleção, nos tecidos, nas cores, nos croquis.

Aurea CalcavecchiaShelly Verthime

O processo de criação de Peggy
Peggy: É muito particular. Fui aprendiz de Madame Grès, então aprendi a trabalhar num ambiente de muita disciplina, completamente silencioso. Tiro referências de todos os lugares. A arquitetura é uma fonte, as artes plásticas também… mas uma pessoa parada na rua pode inspirar também. Hoje em dia as barreiras entre uma coisa e outra quase não existem, está tudo muito misturado. Costumo tirar fotos das coisas, como em viagens desse tipo.

O trabalho de Guy Bourdin
Shelly: Ele é um artista que fez muita fotografia para revista, e também anúncios, mas ele tinha considerações diferentes a respeito disso. Sua composição e cores criam um mistério, quase que surrealista, que deixa em evidência o real e o irreal. Quando você está folheando uma revista de moda, todos os anúncios são chatos. Os dele, não. A visão que ele coloca pro espectador é a de alguém olhando pela fechadura da porta. É mais para pensar, não é apenas uma garota bonita posando diante de uma câmera. Passei um tempo com os negativos dele e, a cada vez que olhava para eles, via algo diferente. Não é simples, envolve múltiplas camadas.

Aurea CalcavecchiaPeggy Huyn Kinh

Balmania
Peggy: Como designer, não posso julgar o trabalho de outro estilista. Mas não gosto desse ombro [que Christophe Decarnin colocou na passarela]. Acredito que, quando você trabalha em uma maison como essa, tem que tirar proveito da história dela pra criar sua própria produção. Talvez ele seja mesmo um bom estilista, mas acho que precisamos de mais alguns anos pra saber.

Sobre o trabalho de Elbaz
Shelly: Alber Elbaz entende a elegância francesa. É natural para ele. Ele é o mais francês de todos os estilistas, sejam eles franceses ou não. Ele entende a forma e a proporção do chique. As criações dele são atemporais.

Elbaz substituindo Lagerfeld na Chanel?!
Shelly: Ouvi isso. Chanel é uma das inspirações para Alber. O lifestyle dela está sempre em seu vocabulário. Mas não dá pra especular a respeito disso – ele está há 8 anos na Lanvin, com todos aqueles arquivos da maison, satisfeito. E quer dizer: antes de Chanel, Jeanne Lanvin já fazia moda. É a primeira maison francesa, aberta em 1891. Enfim. Alber Elbaz já recebeu muitas propostas de muitas marcas, mas não deve sair de lá, não. Você precisa ver a admiração das pessoas no ateliê, o ambiente. Elas carregam as roupas pra lá e pra cá como se carregassem anjos em nuvens durante as provas de roupa.

ReproduçãoCriações de Peggy Huyn Kinh

Essa tendência de grandes casas de moda revisitarem seus arquivos tem a ver a crise econômica?
Peggy: Discordo disso. É que, hoje em dia, nada é novo. Tudo vem de referências do passado, de qualquer maneira.
Shelly: Um dia os estilistas vão comprar todo o vintage e não haverá o que copiar!
Peggy: Exatamente. O tempo em que as coisas acontecem é outro. Não há como criar uma moda diferente a cada 6 meses – ainda que atualmente os estilistas façam até mais do que 2 coleções por ano. Eu, por exemplo, não trabalho desta forma – alguns outros estilistas se recusaram a trabalhar assim também, como Alaïa, por exemplo. Leva muito tempo pra se criar um clássico, sabe?

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