Coco Rocha e a sua agência de modelos

Agência BrazilNews/Divulgação
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Coco Rocha momentos antes de entrar na passarela da Le Lis Blanc

A top Coco Rocha veio ao Brasil a convite da Le Lis Blanc pra participar de um desfile na loja da marca. A gente encontrou com ela enquanto era maquiada por Max Weber, momentos antes de entrar na passarela, e aproveitou pra conversar sobre um assunto quente: o seu ativismo! Coco é uma das modelos que falam a respeito de diversidade de corpos e etnia na moda e defende os direitos dela e de suas colegas. Um exemplo disso é a sua própria agência, Nomad, na qual atende pelo cargo de diretora de marca e mentora! Na entrevista, ela explica porque a Nomad é diferente das outras – vem entender:

Você se considera uma modelo ativista?
Opa… Claro! Nunca me foi dado um título, mas tenho trabalhado como modelo há 15 anos e vi como a indústria mudou completamente, algumas vezes definitivamente pro bem e outras definitivamente pro mal. Temos tentado fazer com que as coisas sejam melhores de maneira progressiva; estou feliz em ver, por exemplo, que modelos têm carreiras mais longas agora. Não somos descartáveis como costumávamos ser, isso é ótimo porque também significa que temos modelos mais velhas na passarela no lugar de apenas garotas jovens. Isso também significa tipos diferentes de corpo, e 15 anos atrás isso não existia…

Sim, você também fala abertamente sobre anorexia na indústria da moda [Coco escreveu sobre o assunto em uma carta aberta no “The New York Times”].
Sim, acredito que sempre precisamos lembrar que algumas modelos são simplesmente magras. Eu sou uma mulher magra. Eu como, como, e como, e como (risos), e não engordo. Portanto, enquanto as garotas estão saudáveis, tudo está OK. E também queremos variedade de modelos na passarela: magras, curvilíneas, altas, magras, queremos tudo isso, do mesmo jeito que queremos uma variedade de nacionalidades. Se é sempre a mesma coisa fica chato, e a moda não quer ser chata, então precisamos evoluir sempre pra esse caminho. Está devagar, mas estamos caminhando bem.

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Fala um pouco da sua agência, a Nomad.
Aqui estou trabalhando pela Joy, mas nos EUA tenho minha agência, a Nomad. Antes, eu estava ajudando agências diversas, conversando sobre esses assuntos com as modelos, dando aulas de passarela e de pose pra fotos… E decidi que queria ter a minha própria! Fiz isso com um cara incrível, Roman Young, que era diretor na Wilhelmina. A Nomad já existe faz 15 anos como uma agência de empresariamento, mas entrei nela há um. Agora acabamos de chegar na Ásia!

Que máximo!
Obrigada! Estou muito empolgada com isso. Essa é a minha paixão nesse momento. Ajudar modelos novas em suas carreiras.

Qual você acha que é a principal diferença entre a Nomad e as outras agências?
Bom, quando a gente senta com as garotas que chegam, perguntamos qual é o objetivo principal, onde elas querem chegar com a carreira delas. Ele pode ser pequeno, como um job específico ou trabalhar com uma editora específica, ou algo do tipo “quero criar um império de moda”. Ou mesmo “quero ser uma médica”… Não precisa ser necessariamente relacionado à moda. Dito isso, tentamos resolver como vamos fazer pra ajudá-la a chegar nesse objetivo. Por exemplo: uma menina pode querer ser chef. Certo, então como usar a carreira de modelo pra fazer com que ela se transforme em chef? Soa bobo, mas é como uma monitoria – você encontra pessoas maravilhosas nessa indústria, sendo da moda ou não, e ajudamos essas modelos iniciantes a chegar onde querem.

Isso é ótimo.
Acho que algumas agências só querem bookar e bookar as meninas, fazer dinheiro, e fazer rápido porque elas vão ficar velhas… E quando isso acontece, elas pegam outra garota nova. Na Nomad, queremos que elas estejam orgulhosas de trabalhar com a gente, que elas desejem continuar na agência. E odeio quando ouço uma menina dizer: “Eu só quero trabalhar como modelo”. Afff! Espero que haja mais que isso! Espero que você queira mais! Se tem uma garota assim, OK, vamos trabalhar com isso, mas esperamos que ela encontre novos objetivos enquanto trabalhamos.

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E o que mais?
A outra diferença é que somos nossos próprios donos. Não existe pressão de um financiador dizendo: “você precisa fazer esse tanto de dinheiro nesse ano, e se você não fizer temos um problema”. Portanto não colocamos pressão nos bookers, e nem nas modelos, como se elas tivessem a obrigação de gerar dinheiro o tempo todo. Modelos têm anos bons e anos ruins de trabalho, isso não significa que a carreira delas acabou quando é um ano ruim, só significa que o ano não foi bom. A postura não é de se livrar delas, nem considerá-las menos importantes por causa disso. Damos oportunidade pra que continuem à disposição e todo mundo trabalha o melhor que puder diante das circunstâncias.

Acredito que vocês também devam abarcar a diversidade no casting.
Sim. Inclusive quando decidimos entrar na agência há um ano, a gente removeu o que estava escrito no site, que seria uma “qualificação” do que seria uma candidata a modelo em potencial. A gente olha pra garota e pode decidir se a mandamos pras fotos de teste sem se ater a isso. Isso não significa que todos podem ser modelos agora, mas essa expectativa de como uma modelo tem que se parecer não existe mais.

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